| Sons do Silêncio |
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Vivemos num mundo repleto de todo o tipo de ruídos, não apenas aqueles produzidos pelos sons de uma sociedade mecanizada, mas principalmente os ruídos produzidos pelas nossas personalidades dissonantes e distantes da sua essência. Aprendemos a ser tudo aquilo que não somos, a representar um papel cujo personagem está tão distante desse Som dentro de nós, que é silêncio puro, e que fala de alguém esquecido nos emaranhados do tempo, perdido no meio desses ruídos que aprendemos a aceitar pela necessidade de sermos de acordo com as regras de um mundo esquecido de si mesmo e com isso abafando esse Som que somos nós verdadeiramente. Esse silêncio que é muito mais que a simples ausência de palavras: é um estado de consciência que se deve manifestar em todos os momentos da nossa existência, na doçura e na suavidade que colocamos em cada gesto, na qualidade dos pensamentos que partilhamos, na consciência de serviço das acções realizadas pelo bem comum, revestindo tudo com esse aroma de paz e amor que resulta da nossa entrega incondicional à Vida. Sons do Silêncio é uma iniciativa que nasce com intuito de promover esse encontro tão necessário, de permitir que por alguns momentos possamos buscar o silêncio dentro de nós como a expressão da nossa verdadeira identidade. Afinal, quem somos nós? Seremos o acumular de regras aprendidas, de condutas aceites e aplicadas, de conhecimentos, procedimento, comportamentos? Seremos esse personagem que vive na angustia e no medo de poder esquecer a próxima linha do diálogo, enquanto no palco interage com os outros? Que veste um traje cultural, civilizacional, regional, de acordo com a peça que lhe compete representar? É isso que nós somos? Ou será que somos esse Silêncio? Esse Som dentro de nós que não tem profissão, que não tem cultura nem religião. Que não foi educado por nenhum sistema instituído, que não tem bens, nem cargos ou funções, que não está sobre nenhum palco e que nada tem para representar, pois esse que nós somos é a própria VIDA. E quando ouvimos esse som do silêncio dentro do nosso peito, e permitimos que essa VIDA se manifeste sem formatação alguma, verdadeiramente Livre e plena, então aquele personagem que era como um boneco de madeira, se transforma num menino de carne e osso, e através do seu improviso novas linhas de diálogo são criadas. Só então poderemos dizer que somos seres despertos e conscientes, pois desse contacto com o silêncio nasce o verdadeiro Ser, o único que pode transformar e mudar o mundo. Pedro Elias
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